domingo, 18 de fevereiro de 2018

Tracklist da semana - Via Spotify - O melhor do meu conhecimento sobre o Soft Rock e suas vertentes (1969-1989) - O que tocava na noite/madrugada nas rádios (Night Radio)

Bem, cá estou eu com mais uma das minhas listas Via Spotify.

Essa aqui é com o melhor do que eu conheço sobre o Soft Rock e suas vertentes, ou seja, todas aquelas músicas que tocavam nas saudosas estações de rádio no comecinho da noite até as madrugadas.

O Soft Rock é um subgênero, na verdade, que derivou do pop e do rock. Ele usa muita guitarra acústica e suas canções têm um ritmo lento ou bem suave, com simplicidade e aspectos bem melódicos.

Ele dominou, praticamente, toda a década de 1970, embalando muitas programações das rádios do mundo todo. Hoje você pode relacioná-lo com o Contemporâneo Adulto (Adult Contemporary), bem como ouvi-lo sob outros nomes, como o Light Rock (ou Lite Rock) ou Smooth Rock.

Meu pobre Anthology of Bread já está quase
riscado de tanto escutar!
E é claro... Que no contexto de todas essas bandas, a minha favorita é o Bread

(Esses caras lindos aí do lado!)

Espero que gostem e que escutem essa lista em seus melhores momentos, pois esta é um pedacinho da minha alma que compartilho com vocês, queridos (as) leitores (as).

Até a próxima!



Night Radio (The Best Of Soft Rock) - Playlist do Spotify 
feita por T.S. Frank 
Seleção de músicas por T.S. Frank


Lembrete: provavelmente você irá escutar somente 30 segundos de cada 
música se não tiver o Spotify instalado. Então eu recomendo que o tenha
- uma das melhores plataformas para se escutar música, de rápida e fácil
instalação - disponível para PC, tabletes e celulares - GRATUITO!


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Falta de ar

É Carnaval. E todos estão entopercidos, imersos em prazeres, alegria e agitação.... Bem, exceto eu.
Ah, esta vida é muito pretenciosa, cheia de gentilezas compradas, atenção e cuidados brilhantemente falsos e corpos harmoniosamente costurados por histórias da vida alheia. É como viver em um universo odiosamente emprestado.
Algumas notícias surgem de conhecidos, com suas novas vidas e decisões. Nesse momento, vem-me o desfazer das débeis linhas que um dia aproximaram-nos. Olho para trás e pergunto-me o que realmente foi concreto, ou se, considerando o mundo nu e cru, as ilusões caramelizadas não passaram de desvarios carbonizados. Concluo que somos facilmente esquecidos ou substituídos quando a pele não mais reluz as partículas de excitação pela novidade.
Estou com crise de asma. E ter essa falta de ar, repentina e audaciosa, é um mergulho em queda livre em um oceano de memórias juvenis desagradavéis. Anseio por respirar livremente... Em todos os aspectos da minha vida.
Fogem-me as palavras bem escritas dos letrados, estudados e diplomados. Entretanto sobra-me uma convicção solitária de que posso ser cronista do meu eu incompleto e cinza.
Sou quem posso ser no momento, aquela que odeia recados com palavras tiradas de livros de auto-ajuda, que escuta o Antologia do Bread quase todas as madrugadas, que acha maravilhoso esperar o final de semana para assistir Arquivo-X e os filmes do Carpenter e que perdeu a confiança, admiração e a fé em quase todos que um dia conheceu... E... Mesmo assim... A esperança de achar uma resposta para meus anseios impera.
Preciso de um sorriso desses que tornam-se uma lembrança indestrutível. Mas é uma época difícil... As boas almas foram-se e restaram-me os meus algozes, estes prontos e solícitos por navalhar a minha carne.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Desventuras

Antes de fechar a minha porta, vi o cinturão de Órion entrelaçado pelas nuvens altas e cinzentas. Faz um pouco de frio nas madrugadas do verão, uma espécie de aconchego para dormir sem muitos calmantes.

Meu estômago dói e minha cabeça fervilha. Uma vertigem nauseante toma forma. Preciso de um chá para recompor-me. Não... Eu necessito bem mais do que isso.

The Cure é a minha companhia para horas assim e suas melodias despejam notas em cortinas que balançam em um vento gélido. Pequenas festas a dois seriam muito mais atraentes se houvesse uma companhia que não estivesse interessada apenas em sexo.

De fato, eu não sei escrever de uma forma padrão e digna. Olhe para as minhas narrativas tortas e não lineares, repletas de encaixes defeituosos. E mesmo assim, foi um tanto chocante ver a minha pífia nota na redação do Enem. Que infelicidade! Os meus escritos nunca foram bem recebidos pela bancada acadêmica desse tipo de prova, nem nos tempos áureos de Ensino Médio.

Vivo a ser corrigida - pré-projetos, mapas mentais, trabalhos, artigos... Definitivamente... Encaixo-me em lugar algum. E meu orgulho tem um lado que foi devorado.

Mudanças aguardam-me avidamente. Sou Édipo avistando a Esfinge.

Suspeito que cheguei a um consenso. É quase certo o fim do meu devaneio pela Ciência. Eis um exemplo muito fidedigno de um casamento à beira do fracasso.

Estou muito velha para acostumar-me a ingratidão dos estudos e muito nova para desperdiçar-me em um sistema que escolheu podar todas as minhas pequenas mudas.

Aproximo-me de uma linha tênue entre a tristeza e a loucura...

Outro dia recusei ver o Céu. Achei-me incapaz de encontrá-lo apenas em números e contas secas. Ainda poderei dizer que amo a Astronomia mesmo se abandonar uma formação acadêmica em Ciências? Sei bem que estou em um vale de indagações que visam medir minhas qualificações por quantidades e diplomas. E parece tudo muito fúnebre e doentio dessa perspectiva.

Deus... Como quero mergulhar de vez no mundo da Literatura e das Artes em Geral. E tenho que, antes de tudo, livrar-me de meus próprios preconceitos por pensar que não posso entrar nesse universo. É como abrir a porta de uma festa em que a Elite está preparada para mais uma noite de escárnio.

Falta-me amor, de meu próprio lado. Não há mais Deuses e Deusas para dedicar poemas ou lágrimas. Antes, caía aos pedaços por paixões avassaladoras, causadoras de dor e sangramentos. Era preenchida por algo, um ódio manancial, que transformava-se em palavras afiadas destinadas a um assassinato imaginário. Sou, agora, um total vazio, inerte e andarilha.

A calmaria do meu coração tornou-me apática. Sem eles, ou elas, não tenho nada mais o que esculpir.

Procuro o meu eu de antes, aquele que está perdido em algum canto de um mundo que isolei dos outros por conta dos meus traumas e receios.


domingo, 31 de dezembro de 2017

31

31 é um número esquisito, cheio de mistério, mas sem misticismo algum. É um primo daqueles que você não dá a mínima, como um desses infelizes parentes que a vida tratou de distribuir aos montes.

Entretanto, todos os anos, os terráqueos comemoram essa data como uma passagem exultante, um ritual sagrado que irá purificar todas as maldades feitas, expurgando assim todos os demônios para que nasça um novo ser. E estes, já no primeiro dia, farão tudo que, anteriormente, livraram-se e de forma extremamente potencializada.

Ao longo de alguns bons anos, eu mesma tentei socializar-me, mergulhando na atmosfera das festividades do ano novo vindouro comercial. Saí por aí com companhias tão interessantes como agasalho de lã caxemira no calor. E voltava dessa tramoia com a sensação de que a vida é uma eterna farsa, recheada de retoques, ambição e filtros para esconder as imperfeições (sem contar as inúmeras prestações acordadas para o vestido que nunca foi usado novamente). Não havia graça, as conversas eram pífias e os sorrisos vulgares ecoavam em uma vertigem que tomava conta de mim - um carrossel do horror com mascarados assustadores.

Só que a roda da existência realmente trabalha e transforma...

Na noite da sexta-feira que passou, recebi uma mensagem de um ex-colega da minha primeira faculdade. Esta era bem eloquente: - Estou na cidade, venha ver-me! Por um golpe de má sorte (ou não!), há um dois dias, uma virose apossou-se de mim, causando-me febrícula e dor de cabeça. Entretanto, para quem busca diversão, isso não configura impedimento. Em outros tempos, não seria indiferente este convite a mim.

Pensei e repensei em uma maneira de fugir dessa situação. Poderia apenas responder, marcar e não ir? Ou apenas contar um pouco da verdade, omitindo o real significado? Fiquei com a segunda opção. Livrei-me logo desse peso.

Evito ao máximo encontrar pessoas que participaram do meu cotidiano. Talvez, devido a relâmpagos de felicidade diabética, de vez em quando, ressurjo e mando alguns cumprimentos para estas criaturas e falo do passado, para depois sumir no nevoeiro da minha realidade. Lembranças daquela época são resquícios das tentativas de ter o meu próprio Show de Truman. Chega desse espetáculo de quinta categoria!

Minhas sandálias de ermitã começam o contato com a estrada poeirenta.

E o que eu quero da vida? Bem... Isso eu não sei ao certo e não será por causa de uma contagem de segundos que o oráculo do destino revelará suas concretas intenções. Mas é mais do que óbvio que tenho vontades.

Uma delas é curar-me da dor crônica e essa ânsia comparo com o poema do Quintana, Utopia. E desse pesar que tenho, gostaria de eliminar dois extremos: as pessoas que são indiferentes por considerar uma doença corriqueira e aquelas altamente piedosas que objetificam-me no seu conceito de coitadismo.

Sim, eu quero sair de casa e ter o meu próprio canto, comprar a minha vitrola para tocar meus vinis, decorar meu espaço com o quadro gigante do poster dos Beatles que comprei em São Paulo, junto com Casablanca e Cantando na Chuva.

Preciso de um emprego! E temos aqui uma necessidade e não um querer.

Nesta existência, hei de ir para a minha tão sonhada jornada a Galiza - fazer o Caminho de Santiago de Compostela.

Entrarei o ano esperando os DVDs que comprei do The Cure, o Acústico do A-ha, Jerry Lee Lewis e Concert Central Park do Simon & Garfunkel. Mandei todos para casa de um conhecido e um do Elvis (Live Hawaii) voltou e tive que buscar no CDD mais próximo porque a mãe dele não reconheceu a encomenda, apesar de todos os avisos... Talvez eu tenha um trabalhão para ter o restante em mãos ainda.

Não desejo amores e muito menos presenças em demasia. Quero muita tranquilidade, isso sim.

Quer saber... Assim como no Natal... Eu comerei bastante e depois ficarei a noite toda em claro, na nova poltrona reclinável, fazendo a digestão. Vou rir da degradação humana, ter um ou dois pesadelos, pensarei sobre reencarnação, escutarei Van Morrison e depois dormirei.

Concluo que a passagem de ano novo, assim como é hoje, não passa de um embuste bem disfarçado de promessas e ilusões rasas celebradas com fogos de artifício irritantes.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Cápsula do Tempo

Hoje estou mergulhada em muita dor. Aliás, são semanas que arrastam-se melancólicas e sem muitas esperanças.

Eu morri pela metade há quase oito anos. E foi logo após receber meu diagnóstico de uma doença crônica na coluna. Minha vida transformou-se em uma vale de incertezas.

Em algum lugar escrevi que tinha depositado muita fé nesse meu último tratamento (muito caro e que custou-me muitas insinuações e cobranças por resultados). Contudo tudo ruiu no momento em que senti a primeira fisgada angustiante, o choque que espalha-se pela perna esquerda e o sofrimento em não poder ao menos curvar-me para pegar o meu par de chinelos. Voltei a estaca zero. E isso é o meu inferno. E qualquer um que deseja-me mal pode considerar-se vitorioso - o meu pesar é seu vinho.

Eu estou em um estado em que não existe um prazer capaz de elevar-me a um patamar acima. Dessa forma entra o ato de escrever. Pensei em não fazê-lo e deixar de relatar meus dissabores.

Só que repensei - uma hora eu morrerei, cedo ou tarde, à cargo do destino. E observando a escassez de espaço e a época que tende a rotular-me de um ser humano à moda antiga, o que poderei eu deixar para aqueles que não me conhecerão como sou hoje, nesta forma encarnada? O que poderei dizer a mim em minha próxima existência? Ao meu alcance, apenas resta-me falar sobre o que passa-me nesses dias, da forma mais crua, muitas vezes metafórica, e o mais detalhista possível. Eis que, além do meu espírito despedaçado, jaz aqui a minha cápsula do tempo. E esta é tomada por palavras e sua abertura depende das conspirações ardis que nunca poderei entender.

Não orgulho-me da minha história. É tão infrutífera e não exemplar. Porém meu ego, este sim, é uma fera arisca e com um espinho na pata.

Falta-me algo que não sei. Nasci incompleta, com muitas vontades, jeitos e sonhos, como um antigo VHS que não foi apagado por completo. Tenho saudades de rostos que não possuem olhos, narizes e bocas. Amo-os intensamente e nos meus pesadelos estes foram arrancados de mim como uma punição.

Salivo por gostos de comidas nunca experimentadas, por músicas que não posso partilhar e pelas peles que não posso tocar.

Sei que tenho algo a cumprir, uma meta, uma redenção que precisa ser alcançada. Só que, até este momento, falhei miseravelmente.

Todos que passaram pela minha vida deixaram suas marcas, impressões e causaram-me alguma ferida, umas foram curadas e outras deixaram cicatrizes. Mas chega a ser muito estranho a não existência de um entrelaçamento, cumplicidade e uma união de vivências, mesmo que brevíssima.

Nunca amei de fato. E isso não livrou-me das paixões e do amargor em minha língua. Só que todas as máscaras caíram, ídolos foram desfeitos e estátuas foram quebradas. Após o terremoto, sobraram corpos nus e anêmicos, cheios de indiferença e sedentos por uma presa. E antes que eles consumissem-me e eu a eles, enxerguei-os em essência - abutres carniceiros.

Dói-me tudo, músculos e ossos, espírito e cérebro. E esse é o meu tempo, minha atual existência e minha herança. Sou indigna, amaldiçoada e uma pária que não tem noção dos próprios pecados. Agarro-me a vida, pois, mesmo na lama, tenho resquícios de uma crença inerente.

Consola-me a possibilidade de ter vivido uma época imemorial, onde todos aqueles que um dia estimei estiveram ao meu lado. E esse andamento foi o suficiente para senti-los para sempre.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Triste, Louca ou Má

Ainda lembro-me daqueles sonhos românticos que espalhavam-se pela névoa da manhã. Era uma época juvenil e inocente. Não culpo-me mais por um dia tê-los cultivado e não os chamo mais de ilusão. Dentro de mim, tudo era poesia, liberdade e prazer.

E este tempo findou-se. Foi selado e guardado. E culpados existem, muitos até, conhecidos e desconhecidos, com seus nomes, sobrenomes, exalando o cheiro característico dos machos.

Gravei cada frase em um registro único e mental. Eis que há de tudo, de insultos puros e diretos até o machismo velado disfarçado de gestos marcados pela singeleza e gentileza,

E nesse universo, o meu novo vício surge: a novela Do Outro Lado do Paraíso, de Walcyr Carrasco. Ela é baseada no livro O Conde de Monte Cristo (1844), do francês Alexandre Dumas.

Assim, apresento a nova heroína da teledramaturgia brasileira: Clara. Difícil não identificar-se com ela, pois carrega um pouco de cada uma de nós.

Clara foi vítima de um relacionamento abusivo. Casou-se com seu algoz que travestiu-se de príncipe encantado. Ela foi estuprada pelo marido na noite de núpcias e apanhou muito dele ao longo do relacionamento. Por ser uma moça pobre que uniu-se a um homem rico, ela constantemente culpava-se, dizendo que não estava à altura dele. Precisou conviver com seu ciúme doentio e também passou por outro tipo de violência doméstica da qual muito não se fala: a violência patrimonial. Tudo foi-lhe tirado, sua herança (uma grande mina de esmeraldas), o filho e a liberdade. Foi interditada, através da corrupção, e considerada louca. Foi jogada em um hospício. Conseguiu escapar, ganhou uma grande fortuna e agora chegou a hora da sua vingança.

(um dos meus temas favoritos nas Artes é exatamente a vingança e todos os injustiçados que a praticam têm a minha admiração. Mas este é um assunto para outra hora...)

Nossa protagonista possui um tema musical em forma de hino. E é sobre o mesmo que gostaria de falar...

... O título desse texto.

Triste, Louca ou Má, uma canção do grupo Francisco, El Hombre, é uma referência aos adjetivos recebidos por mulheres que confrontam essa noção de que o homem, a casa e a carne são as coisas que as definem. 

Eu mesma já recebi esses adjetivos.

Uma vez um determinado rapaz leu alguns dos meus escritos. Ainda ecoa a palavra triste das poucas conversas que tive com ele. Ora, uma mulher que escreve sobre suas experiências e sentimentos não pode estar procurando outra coisa a não ser o consolo de um pênis e a proteção que somente o sexo masculino pode oferecer. Em sua cabeça, meus relatos mostram-me como uma fêmea desolada e amargurada.

A palavra louca, bem, foi uma das mais empregadas. Eu sofri, durante dois relacionamentos de naturezas bem distintas, violência psicológica. O primeiro foi o mais marcante. Continuamente eu era chamada de insana, mesmo com toda a razão ao meu favor. É o que chama-se hoje de de gas lighting, uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas e seletivamente omitidas para favorecer o abusador. Há o uso de mentiras com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria mente, percepção e sanidade. Vem em minha memória certa ocasião em que perguntei a esse homem sobre o sistema operacional de um determinado aparelho celular, algo muito trivial e corriqueiro. Mal fechei a minha boca e esta pessoa começou a alterar-se e chamar-me de desvairada e incapaz de lembrar que ela tinha explicado-me sobre aquilo anteriormente. Eu entrei num estado de estupor e choque. E mesmo sabendo que nunca foi-me explicado nada sobre o assunto, comecei a pedir desculpas e a duvidar de mim mesma. Fatos parecidos com esse foram tão frequentes que eu pensava não ser tão inteligente. No meu segundo relacionamento, se eu, por exemplo, não gostava de algo que meu ex achava muito bom, ele falava sem parar que eu era um embuste. Ele também usava frases isoladas e que foram ditas em um determinado contexto por mim como uma arma de repressão. Era um ciclo sem fim de tentativas de uma espécie de lavagem cerebral. Situações bizarras aconteciam o tempo todo. Se eu tinha cólicas menstruais e reclamava disso, escutava - Você está exagerando. Nem está sentindo dor. Isso é coisa da sua cabeça!  (Falo mais sobre esses fatos nessa postagem aqui - UM NAMORO FALIDO E VIOLENTO).

Já a denotação má... Tenho uma historinha boa à respeito. Em uma ocasião eu disse que não me dava bem com crianças, que não pretendia ter filhos e que elas pareciam muito ameaçadoras. Um colega taxou-me de malvada, que parecia que eu tinha um monstro dentro de de mim.

"Triste louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar"


Homens rejeitados podem ser muito cruéis. Eu já lidei com alguns. E tenho tantos relatos... Um desses moços, incapaz de dá-me prazer, diante da minha sinceridade e posterior recusa, usou a masculinidade ferida para despejar - você é frígida! 

"Seguir receita tal
A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina"


Um trecho perfeito para definir a cultura maldita da sociedade patriarcal.

"Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem não sem dores

Aceita que tudo deve mudar"

O processo de reconhecer-se vítima de violência por ser apenas mulher é extremamente complicado e doloroso. Nesse meio, muitos dirão que você, por não querer agradar a um homem, por não pintar as unhas, vestir-se e maquia-se para ele, não passa de uma MAL AMADA ou, de forma simples, como disse meu ex-namorado, não sabe o que é ser uma mulher.

"Que um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar"


Uma mulher não precisa de um homem para ser respeitada, digna e completa. Ela basta-se, reside em si mesma, seu templo sagrado. Qualquer um que diga o contrário, mesmo com juras de amor, enxerga em sua frente apenas um objeto que quer possuir a todo custo.

"Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só"


Um dos trechos que mais me tocou. Em meu último relacionamento, meu ex, ao perceber que o fim estava próximo e a minha distância, sempre repetia - você, sem mim, vai viver só. Nunca vai encontrar ninguém com esse seu jeito e essas ideias. Você está destinada a solidão...


"Eu não me vejo na palavra
Fêmea: Alvo de caça
Conformada vítima
Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar"


E é assim que cada mulher deve agir, nunca conforma-se com a violência de qualquer aspecto e natureza. 

Sim, precisamos de renascimento através das nossas próprias ruínas, ter metas e destruir a roda da opressão.

Não é um caminho fácil. Haverá dedos que apontarão e bocas que jorrarão as denominações mais nocivas. 

Um passo de cada vez, por menor que seja, será o começo de uma grande nova vida.





quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Erítia

O meu eu voou para longe. 
Para além do horizonte
de tons avermelhados,
a morada dos deuses,
herois e amantes.

Um delírio
a consumir a alma.
Transpasso-me e
transponho-me.

Sou a libertinagem
de uma ninfa
em escarlate.

Dou-me nudez
em carne e
pensamento.

Banho-me em águas envoltas
por sangue vivo e quente.
Adentro-me em plenitude
em meu próprio espírito perdido.

Visto-me de luz
incandescente,
de grande rubor,
esplendorosamente
carmim.

Recaio em púrpura atmosfera
para então reluzir
na Ilha Vermelha
tingida pelo Pôr do Sol.

Encontro a sedenta paixão
em teu olhar secular.
Tu conhece-me e eu a ti.
E a ti pertenço e tu a mim.

E dissipa-se o tempo
com o vindouro crepúsculo.
Rompem-se os laços e
Trincam os rubis.

A distância fez-se presença
E a separação a realidade.

T.S. Frank




segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Crítica da Semana: Alma Gêmea (Soulmate/2013)

Altamente despretensioso e baseado, praticamente, na interação entre dois personagens. Mas não se engane por sua simplicidade - é um filme bem interessante.

O senso comum quase sempre aponta a coqueluche do terror e do suspense para as produções americanas. Entretanto, há alguns poucos anos, esse cenário vem mudando. Trabalhos independentes de vários outros países ganham mais destaque. Foi assim, recentemente, com os ótimos Boa Noite, Mamãe (Ich Seh Ich Seh/Áustria/2014) (crítica do CQeSherlock aqui) e Invasão Zumbi ( 부산행 Busanhaeng/Coréia do Sul/2016). Também pode-se dizer, com propriedade, que as produções de língua espanhola, no circuito Argentina-México-Espanha, possuem grandes méritos e são uma escola de referência.

E junta-se a essa lista os britânicos, com seus filmes não muito longos, com cenários modestos, campestres, usando o próprio cotidiano e um orçamento baixo que dá muita ênfase as boas atuações e a roteiros de qualidade. Vide o excelente Extermínio (28 Days Later/2003) (crítica do CQeSherlock aqui). E é nesse âmbito que aparece-nos Soulmate (Reino Unido/2013), uma grata surpresa para quem não prende-se somente ao famoso jump scare (a tão banalizada técnica do susto a qualquer custo).

Anna Walton
Temos uma construção de enredo até bem simples - Audrey (Anna Walton), uma mulher devastada pela perda de seu marido em um acidente de carro, tenta o suicídio. Entretanto é salva por sua irmã Alex (Emma Cleasby). Depois desse fato, ela decide que o melhor é isolar-se por um tempo no campo. No primeiro dia, Audrey encontra dois moradores locais, Theresa (Tanya Myers) e o marido, Dr. Zellaby (Nick Brimble), que falam sobre o proprietário anterior da casa, Douglas (Tom Wisdom), que suicidou-se há 30 anos. Logo a nova residente do imóvel começa a ouvir ruídos estranhos e percebe uma porta trancada. Ao conversar novamente com o Dr. Zellaby, ela descobre que essa está fechada desde a morte de Douglas. Eventualmente os ruídos tornam-se mais fortes. Então, ao abrir a porta, Audrey encontra vários pertences do antigo morador, incluindo as cartas de sua noiva Nell (Rebecca Kiser). Neste ponto, Douglas começa a manifestar-se dentro da casa, revelando-se a Audrey. Os dois são capazes de conversar um com o outro, estabelecendo um vínculo emocional, mesmo que não possam interagir fisicamente. No entanto, com o passar dos dias, surgem dúvidas sobre as verdadeiras intenções de Douglas - ele pode ser apenas uma alma parecida com Audrey ou uma manifestação sinistra e maquiavélica.

Tom Wisdom
Confesso que assisti, a princípio, por causa do Tom Wisdom, um ator muito bom, requintado e que tem uma bela presença cênica (ele é mais conhecido, injustamente, pela série do canal Sci-Fi, já cancelada, Dominion). Foi complicado conseguir uma cópia, pois é considerada rara aqui no Brasil. E não para por aí - dublagem ou legendas (mesmo em inglês) não estão disponíveis em parte alguma deste planeta. Tentei, depois de saborear a minha cópia do submundo, comprar o streaming com legendas na língua inglesa pela Amazon Prime dos Estados Unidos e não deu certo de jeito nenhum - precisa-se de um cartão de crédito e endereço de lá. Mas importar o DVD está nos meus planos.

Finalizo com uma certeza: um horror britânico, de classe, que recomendo firmemente!


***

Trívias sobre o filme Alma Gêmea (Soulmate /2013)


Cena removida do filme!
A versão britânica do filme teve a cena de abertura original, em que Audrey (personagem de Anna Walton) tenta se matar, retirada. Isso ocorreu por conta da British Board of Film Classification - BBFC achar que isso poderia ser um incentivo ao suicídio.

A película levou quatro anos para ficar pronta. Mas as filmagens deram-se em apenas 24 dias.

O ator que interpreta o marido morto de Audrey é o Fotógrafo da Produção.

Nick Brimble (que interpreta o Dr. Zellaby) só se juntou à produção uma semana antes dela começar a ser rodada, substituindo um ator que foi contrato anteriormente.

O Diretor de Fotografia original abandonou o projeto um mês antes das filmagens.

O papel de Audrey foi escrito tendo Anna Walton em mente.

Diversos diretores passaram pelas etapas de filmagem.

Nick Brimble filmou seu papel em 6 dias.

Nick Brimble ficou perplexo com os aspectos do personagem do cachorro.

O cachorro, à proposito, chama-se Anubis e sua dona é a diretora Axelle Carolyn.

Emma Cleasby (que interpreta Alex) filmou seu papel em 2 dias.

Neil Marshal (Produtor Executivo e sim, esse mesmo, diretor dos filmes Centurião/2010, Abismo do Mesmo/2005, o novo Hellboy e de muitos episódios de séries famosas, como Game of Thrones...) fez uma breve aparição na película (o famoso termo cameo).

Neil Marshal, na época, era casado com a diretora/escritora do filme, Axelle Carolyn (estão, neste momento, em processo de divórcio).

Tom Wisdom juntou-se, após um breve comunicado, ao elenco. A escolha original havia desistido.

A escritora/diretora Axelle Carolyn tinha uma coluna regular em uma revista americana dedicada aos fãs de Terror, a Fangoria.

Muitos membros do elenco juntaram-se a produção em diversas etapas das filmagens, para desistirem de participar logo em seguida.

Trailer



Cena, na íntegra, removida do filme 
ATENÇÃO: IMAGENS FORTES!
TENTATIVA DE SUICÍDIO!



Fontes

Alma Gêmea (Soulmate) - Wikipédia em Inglês
Alma Gêmea (Soulmate) - Rotten Tomatoes - Site em Inglês
Alma Gêmea (Soulmate) - IMDb - Site em Inglês
Alma Gêmea (Soulmate) - Filmow - Site em Português
Cena de abertura de Alma Gêmea (Soulmate) é retirada pela BBFC - Artigo em Inglês
Axelle Carolyn - Wikipédia em Inglês
Neil Marshall - Wikipédia em Inglês

Outras mídias

Instagram da Diretora Axelle Carolyn
Twitter da Diretora Axelle Carolyn

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Aprisionamento

Mais cedo tentei juntar algumas palavras. Não consegui. O ambiente não é tão favorável assim. E tenho que dizer que sou uma fraca por isso.

Ora! Dostoiévski escreveu Crime & Castigo e outras de suas fantásticas obras em condições extremamente angustiantes, como sua situação com as dívidas, a pobreza e a iminência da prisão. E eu mal redigi umas parcas linhas desconexas e logo tive um dissabor como resultado final. Eu sou uma grande piada!

Estou imersa em grande dilema. E queria contar tudo sem assemelhar-me a esta gente frívola dessa época...

É que... Sim... Eu perdi a vontade e o interesse no curso de Física. Eu não o quero mais! Soa simples, afinal, é só uma faculdade.

E o que eu estou fazendo para contornar essa situação? Pois bem, tenho colocado currículos incessantemente por aí e fiz o ENEM para uma possível permuta na Universidade. Estou prestes a completar trinta e dois e quero a minha vida só para mim. E pronto! Já tenho uma profissão, tenho registro e uma pós graduação prestes a terminar.

Parece muito e é de fato. Entretanto não é o suficiente para minha família. E nunca chegarei a alcançar as metas do sucesso ideal dela.

Eu tentei, por diversas vezes, descrever o meio no qual em cresci. E os rascunhos acabaram no cesto de lixo. Essa é uma tarefa, além de excruciante, difícil de realizar. Posso começar por dizer que é um povo muito religioso e temente a um Deus que castiga muito e ama fantoches.

Meu problema maior concentra-se no núcleo principal. Só que os entornos, assim por dizer, são a encarnação do mal em essência. E os dias são repletos por um falatório sem fim sobre esses familiares que, pelos dois lados sanguíneos, são vulgares e muito alienados em diversas áreas do conhecimento.

Eu simplesmente cansei! Estou farta do regime comunista e dessa imposição 1984 que imperam na minha existência e atrapalham minha criatividade, transformando-me num reflexo monstruoso da culpabilidade pelas miserabilidades alheias.

A verdade é que sinto que não poderei ter algo somente meu em matéria ou espírito.

Lembro-me de uma conversa em que falei que eu era incompatível espiritualmente com a família dessa existência. E esta sensação fica mais e mais clara à medida que envelheço. E ela estende-se para o círculo de conhecidos também.

Semana passada, um rapaz, da época da minha primeira faculdade e que está morando em outro estado, perguntou se não haveria a possibilidade de, alguma hora, eu passar alguns dias com ele por aquelas bandas. Minha primeira reação foi pensar comigo mesma: - Pobre coitado! Como ele ainda pode, depois de tanto tempo, ainda ter algum sentimento por mim? Eu nunca gostei dele e fico indagando-me sobre a minha real intenção, mesmo que brevemente e naquela época, em alimentar suas ilusões. Logo eu cheguei a uma cruel conclusão: Enganei muita gente! E para quê? Para obter prazer? Muito difícil. Nenhum homem conseguiu satisfazer-me e a recordação dos seus rostos são ondas amareladas, como tardes sufocantes pela fumaça das industrias. Com certeza ainda estou procurando por uma resposta plausível para estas empreitadas sem sentido.

Se eu amei? Todos amam um alguém. Mas acredito que esse meu sentimento puro, platônico, por uma alma parecida e íntima, não consumou-se por razões que estão além do meu entendimento atual. Espíritos que têm afinidades, talvez pelo chamado carma, encontram-se somente de passagem para assim evitar tragédias e tristeza. E isso foi há dezesseis anos. Tempo suficiente para ainda ser um pouco doce.

Eu também apaixonei-me - resultado de falha e da necessidade de preenchimento. E são esses os caminhos que levam a um entusiasmo doentio, incrustado pela toxidade. Eu ainda posso sentir o amargor do veneno...

Sou uma cativa que costura uma colcha de retalhos. E cada pedaço dela tem uma utopia -  êxtase, Supernova, romances, nebulosas, céus estrelados e um beijo ardente com Cassiopeia, ao fundo, no céu de um verão frio de dezembro.

Eu era apenas muito jovem e inocente... O tempo passou e tornei-me uma incrédula.

Vesti-me de Icarus. E neste momento estou em queda livre.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Erotismo

Álbum Lovedrive/1979
Scorpions
A madrugada abriga-nos
em beijos ardentes
com notas lascivas
de dizeres estridentes .

Consumo teu espírito
e penetras tu a minha carne
para terminamos em arcos
brilhantemente goticulados.

Nua estou
e em nuances
formo-me.

Somos a representação
da sedução das horas
mais adentro.

Venhas a mim
e mata a tua sede
toma-me em
corpo e deleite.

Mas assim
que a Aurora
despontar
de mim
nada lembrarás.

Sou apenas teu desejo
e tua utopia.

Porque no fim...
Seremos apenas
veraneios de solidão.




domingo, 29 de outubro de 2017

Cronicidade

"Estou preso em uma fantasia, 
não posso acreditar nas coisas que eu vejo.
O caminho que escolhi, agora, levou-me a um muro.
E, a cada dia que passa, sinto mais e mais
como se algo estimado tivesse sido perdido.
Levanta-se, agora, diante de mim,
uma barreira de silêncio e escuridão entre
tudo que sou e tudo que eu queria ser.
É apenas uma farsa, elevando-se,
marcando os limites que meu espírito
poderia apagar." 

(The Wall, canção por Kansas, escrita por Livgren
 e Steve Walsh. Leftoverture/1976)


Não sabia se voltava a escrever. E isso arrastou-se por alguns bons dias. E se você perguntar-me o porquê, responderei prontamente pela escrita de hoje.

Há um tempo venho oscilando como um pêndulo frio de metal. Percebi que morri, não por completo, mas estou esvaindo-me em forma de poeira.

Carrego uma tristeza imensa e meu peito pesa. E isso piorou muito por eu ter voltado a morar com a família. São relações muito delicadas, construídas muito debilmente. Sinto-me extremamente oprimida e um grande fracasso.

Ao chegar nesse ponto, indaguei-me se alguma vez, nessa vida deprimente, eu deixei de ver-me dessa maneira. E a resposta assustou-me. Pois, analisando toda a minha trajetória, vi que eu estava desde sempre mergulhada na lama do eu desacreditado.

E eu também faço-lhes uma pergunta: como conseguem ler esses textos? Quem quer saber de tristura e melancolia em um mundo tão esfuziante como esse? Cheio de possibilidades e arcos coloridos.

Sou uma escritora desonrosa, apática e que traz um mundo pálido e cinza. Se todos os meus textos fossem impressos, não me surpreenderia que fossem estes queimados em grandes labaredas.

O impuro deve ser purificado pelo fogo, não é o que dizem?

Talvez seja hora de assumir que estou doente mentalmente.

A minha dor na coluna voltou. E, como todo padecimento permanente, esse é um daqueles momentos de crise que pode durar dias. E, mesmo que eu tente, nunca saberei detalhar o medo que sinto quando ela reinstalar-se em mim. Não é somente a dor física, se assim o fosse, viveria como todos os que têm uma discopatia degenerativa - agarrando-me a grandes esperanças. Junto com esse calvário, eu enfrento acusações, caras de desgosto e as piores profecias... Ah, esses oráculos... Penso eu que nasci amaldiçoada.

Há três dias eu só quero dormir e ficar no escuro, quieta e imóvel. Estou quase num estado de estupor. Não tenho vontade de sair, nem de conversar com ninguém. Olho algumas pessoas e já as considero minhas inimigas mortais. Deixei muitos conhecidos de lado. Outro dia mesmo tratei um friamente, sem muita conversa e o encarava com certa antipatia. Disfarcei-me com cordialidade. As minhas veneradas imagens foram quebradas pelas suas verdadeiras faces monstruosas, suas sujeiras, ambições e crimes.

Gostaria de não acordar mais. E o mais estranho disso tudo é que eu caí neste novo buraco em menos de uma semana. Eu estava um pouco alegre anteriormente, pois tinha posto na minha mente que tentaria achar uma solução para todos os meus problemas e começaria uma nova caminhada.

E esse castelo de areia desmoronou todo nas minhas mãos.

Andei sempre pelas sobras. E, a cada estação, sou assassinada por asfixia.

É... Hoje eu pensei em morrer. E vislumbrei os aborrecidos que causaria por conta dos preparativos para o funeral. Bizarro também foi pensar no falatório sobre a minha alma perdida...

Sim... Eu sou pessimista, e isso potencializa-se com a dor que sinto na lombar. Eu só estou bem cansada.

Será que algum vivente nesse mundo pode compreender essa minha angústia?

A única coisa que restou-me foi beber um café e olhar para o céu azul que nunca irei desfrutar.

Deus tenha piedade do meu espírito, pois, além de uma grande pecadora, com toda certeza, eu carrego uma grande calamidade dentro de mim.



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Unilateralidade nas conversas - uma reflexão sobre os seres humanos in natura

Outro dia, por aqui mesmo, falei do meu gosto por escutar histórias de outras pessoas. Um lado egoísta que revelei sem muito pudor, afinal, isso tira-me do tédio absoluto. Porém, contrariando o meu lado demoníaco, tornei o relato disso extremamente ameno, limitando-me a falar de uma parcela pequena, aquela dos relatos interessantes e instigantes.

Sim, a maioria dessas narrações é um suplício sem precedentes, vulgares, murchas, comuns, advindo de gente ainda mais comum, com seus casos amorosos e problemas que não venderiam uma linha sequer em um classificado de anúncios baratos. Enquanto tagarelam, presto atenção nos movimentos de suas bocas e línguas. Os homens, admito, são os meus objetos favoritos nesse parte.

E eu já escutei de tudo nessa vida - Ah, meu bom Deus, quanta paciência tenho...

Pois bem, a política das trocas não funciona nessa situação. E eu explico - essa gente não tem a mesma disposição para ouvir. Falta-lhe um certo senso, mesmo que possa ser fingido, de fascínio pelo semelhante (a não ser que esse seja de interesse sexual, romântico ou econômico.).

Por ser teimosa, aplico-me a autoflagelação de contar alguns fatos da minha vida para alguns desse círculo. E, como esperado, recebo umas poucas linhas com frases pré-fabricadas como resposta. Muitas vezes essas até demoram, ou, sendo clássica, o silêncio ensurdecedor da indiferença deles ecoa pelo ar.

E aconteceu mais uma vez por esses dias. Eu descobri a verdadeira história por trás das ações de um ex caso de alguns anos atrás, a paixão avassaladora da minha vida. E num ímpeto de partilhar a história bizarra, mergulhada em um total frenesi, contei tudo a uma conhecida.

E, bem, veio-me, depois de ser extremamente cozinhada, duas frases resumidas como resposta em um aplicativo de celular desses bastante comuns agora. E olha que eu praticamente narrei um livro em áudio para ela...

O mais interessante nisso tudo é que esta mesma pessoa é uma das muitas que encaixa-se fielmente nas linhas iniciais desse texto. Em outro momento, não muito distante desse, contou-me ela sobre sua vida atual, problemas e dúvidas. Eu dei um suporte específico em uma situação grave até. Obviamente, os supostos amores, assunto preferido da unanimidade, foi o carro-chefe nesse confessionário. Cabe-me aqui dizer que sua limitação é notada às vistas. Porém acreditava que, culpando de antemão um desvario meu, este ser, ao menos, não tornaria-se monossilábico e enlatado - Que grande, grande engano!

Mais adiante vi, por meio de uma rede social (o oráculo das podridões), que a mesma estava ocupada estudando e... Escutando música... Certo, ora! Um motivo justo. Não, calma aí um bocadinho... Quando suas lágrimas vieram à tona e ela precisava urgentemente desabafar, não lembro-me de ser indagada se eu estava ocupada... O que recordo-me é de ter dito - Vem agora para cá!

Por mais frívolas e restritas que determinadas pessoas possam aparentar ser (e de fato é assim), elas, em seus instintos primitivos, tem a esperteza intrínseca em sua essência. O ser humano é, naturalmente, egoísta. Um fato. Mas alguns, lapidados e muito maquiavélicos, conseguem mascarar essa predisposição em benefício próprio, teatralizando e suportando muitas situações que odeiam. Uma hora, ou outra, isso servirá. Já os primeiros... Acabam afundados em sua lama, procurando outros para contar suas proezas de botequim.

Chafurdar na areia com água é a vida de muita gente. E eu gosto muito de observar esse cenário - há algo de muito misterioso na degradação humana.

Contudo deixo aqui meu agradecimento a esses seres tão convidativos. Se não fosse por suas vidas tolas e seus atos odiosamente grotescos, metade dos meus escritos não existiria.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Epifania


Eis que todo ser humano dotado de uma peculiar sensação de aprisionamento rende-se, algumas vezes e tantas outras, a um estado obscuro de estupor - uma odisseia mental por entre as águas mais turvas de que se tem conhecimento - o seu próprio eu.

E há muitos modos de descrever esta jornada, como usar palavras requintadas, amassar inúmeras folhas de papel, destruir e reconstruir versões. Entretanto todas são indignas, não passando de réplicas baratas que nunca poderão reproduzir com fidedignidade o que uma Epifania é de fato.

Sim, epifania, este oráculo dos místicos, a desilusão dos descrentes, o porrete dos iconoclastas. Prefiro eu chamar de aviso, um impulso nervoso, de que a vida pode ser ainda mais entediante do que já vem sendo. E diante do apocalipse previsto, o mundo e seus habitantes mundanos continuariam a viver em modo perpétuo.

Mas há de dizer-se, logo, que o joio é separado do trigo.

Para um homem, esse filme em Fast-Forward é a constatação de que outro caminho, da sua imensa gama de possibilidades, deve ser seguido. No mínimo, um aborrecimento, uma mudança de curso, um ligeiro desvio rumo a um horizonte infinito. E para uma mulher? Como eu poderia narrar um pandemônio com as palavras certas? Um mergulho no dantesco? A visão do inferno? Melhor, tenho algo mais fiel - um prisioneiro à espera da degola que vislumbra o brilho da lâmina do carrasco ao Sol, para, logo em seguida, corta-lhe os músculos e cerrar sua vida. 

Uma epifania feminina é semelhante a caminhar descalço por entre lâminas afiadas; cada corte é uma obrigação, uma espera, um compromisso, uma dívida de sangue com a sociedade. 

Dizem que algumas mulheres querem mais do que a liberdade, elas cobiçam ser os próprios homens. São as párias, as aberrações da natureza, que renegam suas identidades maternais, afetivas e altruístas. 

Que estúpido engano... 

Essas são aquelas que profetizaram um martírio infindável e não querem, de modo algum, esse martelo pesado da injustiça. 

Muitas disfarçam esse calvário dando a si mesmas uma falsa ilusão de poder. No fim, os enlaces, a barriga que cresce e todos os olhares cobram quase as mesmas atitudes de uns duzentos anos atrás. Então esses lampejos da vida dupla e ordinária, de saídas para jantares semanais, de festas de aniversário, de sexo regular, trabalho enfadonho, traições, choros infantis, suflês queimados e sorrisos artificiais não passam de pesadelos recorrentes e de medos que transformam-se em lágrimas e traumas. 

Nenhum homem será capaz de entender o que é aguardar por um destino cruel de mãos atadas apenas por ser mulher. E o que seria deles, a propósito, se não houvesse uma (mulher) a sua espera quando a revelação do seu aparecesse? Eles suportariam saber da morte das suas almas? Obviamente que não. É mais fácil que eles deem cabo das próprias vidas antes.

Ao término da minha jornada, desejo apenas a calmaria. E que minha alma seja livre e espalhe-se pelo ar em forma de coágulos de luz. Que nenhuma centelha de profecias imundas viva e que todos os rostos sejam esquecidos... 

... E que além-mar haja apenas os espíritos dos incompreendidos. Aqueles que, como eu, profanaram o próprio destino. 


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Crítica da Semana: A Fonte da Vida (The Fountain)/2006 - Com explicação da história

Eis um filme cheio de simbolismo. Aqui a chave do entendimento passa pelos conceitos de reencarnação e aceitação da morte para semear a vida. Sua não linearidade é um convite para aqueles que pensam e gostam de cinema muito além do lugar-comum.

A Fonte da Vida (The Fountain/EUA/2006), quando foi lançado, recebeu muitas críticas espinhosas. O tempo passou e eu só assisti agora. E tive a sorte de ver logo após O Universo no Olhar (I Origins/2014) (crítica aqui), um filme muito ruim com uma ideia muito boa. E, ao contrário desse último, os assuntos mostrados, como a Ciência e Espiritualidade, caminham juntos sem que um tema desfavoreça o outro. A ideia de reencarnação, juntamente com a aceitação da morte para propagar a vida, tem seu próprio espaço, trabalhada de uma forma filosófica e na dosagem certa.

Mesmo antes das filmagens começarem, Darren Aronofsky, o diretor, enfrentou problemas. Ele planejou, originalmente, dirigir a obra com um orçamento de R$ 70 milhões e contava com Brad Pitt e Cate Blanchett para os papéis principais. Porém a saída de Pitt e o aumento nos custos levaram a Warner Bros. a encerrar a produção. Depois desses imbróglios, o diretor remodelou o script e ressuscitou o projeto com um orçamento quase pela metade do inicial (cerca R$35 milhões). O casal principal agora era outro, com os atores Hugh Jackman e Rachel Weisz. As locações de cenários passaram para Montreal e Quebec e a macrofotografia foi um dos artifícios usados para criar os efeitos visuais fundamentais do filme a um baixo custo.

A alma da película gira em torno das boas interpretações de Hugh e Rachel. A química dos dois é cativante. A versatilidade e talento de Jackman são notáveis. Seus três personagens são distintos entre si, mas procuram atingir o mesmo ponto e achar as mesmas respostas. E ele nos entrega exatamente isso com muita maestria. Weisz é mais contida, suas duas personagens são muito diferentes e não tem muito em comum. Entretanto isso apenas ressalta seu próprio talento na obra.

A Fonte da Vida alterna momentos entre o belo e o confuso. O que assusta os telespectadores mais ávidos pelo imediatismo. Contudo, como toda obra com um intuito mais profundo, faz-se necessário um olhar mais instigante e pessoal. Somente com esses dois elementos, seus segredos são revelados. Linguagens rebuscadas e consultas a obras acadêmicas (há artigos em português sobre o filme recheados de conceitos assustadoramente difíceis!) não são necessárias para seu entendimento, acredite!

Um filme tocante e visualmente deslumbrante, um daqueles que permeia os pensamentos por muito tempo. Muitíssimo recomendado!

Trailer de A Fonte da Vida
Legendado


***

Para um melhor embasamento, utilizarei aqui um bom artigo em inglês chamado A Fonte Explicada (The Fountain Explained) do site Philoscifi. A partir deste momento coloco o selinho de:



Explicações e organização

O filme é fragmentado, seguindo uma ordem não cronológica. Assim, temos uma bela bagunça para arrumar. Isso pode ser reduzido um bocado se aceitarmos a reencarnação como o elemento primordial da narrativa.

Dessa forma, Tomás/Tommy/Tom são reencarnações da mesma alma em um período dentro de mil anos até a descoberta da chave da imortalidade. Isabel/Izzy também reencarnou muitas vezes. E esse ciclo só é interrompido quando Tommy (o marido de Izzy) deixa a semente no túmulo dela, tornando-a uma Árvore da Vida.

Com essas premissas, podemos então reordenar as sequências do enredo para produzir uma linha cronológica:

Isabel e Tomás
Cena de A Fonte da Vida/2006
Passado - Isabel envia Tomás para uma viagem em busca da chave da vida eterna. Nessa missão ele encontra a Árvore da Vida, porém morre logo em seguida, pois sua ambição o torna indigno. Ambos, Rainha Isabel e Tomás, reencarnam até o presente.

Presente - Izzy está morrendo, mas aceita o diagnóstico pacificamente. Só que Tommy, seu marido, não aceita este fato . Izzy escreve A Fonte (The Fountain), um livro inacabado sobre seu passado, e pede ao marido para finalizá-lo. Ela morre. Tommy começa a investigar a Árvore da Vida e desvenda o segredo da imortalidade. Ele deixa uma semente no túmulo de Izzy e ela torna-se uma Árvore.

Futuro - Tom e a Árvore estão se aproximando da estrela moribunda Shibalba. A Árvore começa a morrer. Tom desespera-se, mas finalmente entende o significado da vida eterna. Ele abandona a Árvore e lança-se ao seu destino. Tom e a Árvore morrem na explosão da Estrela, espalhando a vida e criando o universo. Tom é o último homem e o Primeiro Pai.

A busca

A busca pela vida eterna é o esforço humano por excelência, atravessando todas as culturas e atividades ao longo do tempo. No filme, Tomás procura o Santo Graal (A Árvore da Vida) e Tommy a cura para o câncer. O primeiro corre atrás do místico e o segundo quer uma resposta científica. Tomás começa na selva, caçando uma lenda, e acaba no laboratório, perseguindo o científico. No entanto, o objetivo de ambos os personagens é o mesmo - a Árvore.

A história também pode ser vista como uma abordagem sobre a obsessão pela grandeza e o quanto essa jornada é solitária. Por mil anos, Tomás/Tommy/Tom estão, na maior parte do tempo, sozinhos. Eles só enxergam o que amam por partes e nunca como um todo. Tomás vê seus soldados morrerem na selva. Os pesquisadores que trabalham com Tommy esforçam-se sempre para acompanhar seu ritmo vertiginoso. E Tom, o último homem, sabe que todos que já conheceu e gostou estão mortos. E isso torna-se um fardo e uma agonia.

Trata-se, por assim dizer, de uma expedição pessoal para enfrentar nosso maior medo - a morte. Apesar de todo nosso conhecimento científico e crenças religiosas, a maioria das pessoas ainda têm medo de morrer quando esta hora chega. Assim como Tom, o viajante espacial, despido de todo o materialismo, cada pessoa deve aceitar seu destino sozinha, ou seja, ninguém pode fazê-lo por outra, mesmo que a ame profundamente.

A Jornada através dos nomes

Izzy e Tommy
Cena de A Fonte da Vida/2006
A evolução dos nomes do herói através da linha do tempo é uma parte importante da obra - Tomás, Tommy Creo e Tom. No Novo Testamento, em João 20:24-29, a aparição mais famosa de Tomé (ou Tomás) dá-se quando ele duvida da ressurreição de Jesus e afirma que necessita sentir Suas chagas antes de convencer-se. Essa passagem é a origem da expressão "Tomé, o Incrédulo" bem como de diversas tradições populares similares, tal como "Fulano é feito São Tomé, precisa ver para crer". Após ver Jesus vivo, Tomé professa sua fé em Jesus e então passar a ser considerado "Tomé, o Crente".
No filme, Tomás, o Conquistador, é um seguidor da Rainha Isabel. Este aceita a missão que a soberana destina-lhe. Mais tarde, como Tommy Creo, ele passar a ter dificuldades em aceitar a morte de Izzy. Este é um ponto interessante porque "Creo" em espanhol significa "Eu acredito". No final, Tom, o viajante espacial, sem título ou mesmo sobrenome, passar a acreditar e torna-se simplesmente um homem.

A Árvore

A Árvore é um grande símbolo neste filme. Não só tem laços religiosos (Árvore da Vida no Jardim do Éden, por exemplo), como também científicos. Muitos dos nossos medicamentos são extraídos de plantas. E esta é uma das razões pela qual os cientistas estão tão preocupados com a destruição das florestas. Pode ser que muitas delas, até então desconhecidas, sejam chaves para tratar doenças que no momento são incuráveis. As árvores são seres vivos muito próximos da imortalidade. Sabe-se que algumas espécies existem há mais de mil anos.

O Conquistador

O Ocidente tem uma visão extremamente polarizada do mundo - preto e branco, o bem e o mal e o certo e o errado. No começo, o conquistador é a religião, portanto a mão da justiça que está disposta a matar todos os que se opõem a ela. Nos dias atuais, o Conquistador é a Ciência, cuja a determinação de desmistificar o mundo enfrenta as fronteiras do fervor religioso.

O pensamento oriental é mais circular aceitando mais a pluralidade e a ambiguidade. E por seguir essa Filosofia, na maioria das vezes, é desvalorizado pelo Ocidente. Essa tensão pela busca do meio termo e da reconciliação permeia a obra de Aronofsky.

Tempo

A Fonte da Vida, de alguma forma, distorce nossa percepção do tempo. O filme parece ter mais tempo do que os 96 minutos de sua duração. Existem duas possíveis razões para isso. Primeiro, três histórias distribuídas em uma grande escala de tempo, contribuindo para um sentimento de épico. Em segundo lugar, o nível de intensidade emocional sustentada ao longo do filme e que deixa muitos espectadores exauridos até o final.

A Roda ou o Círculo

Tom, o viajante espacial
Cena de A Fonte da Vida/2006
Este é um símbolo muito comum no pensamento oriental. Não há começo ou fim, tudo está relacionado, fazendo parte do mesmo conjunto. Dessa maneira, destacam-se alguns dos seus usos e aparecimentos no filme:

Roda do tempo - A história inteira é um círculo. Tom é o primeiro pai e o último homem. Ele, presume-se, reencarnou muitas vezes (círculos dentro dos círculos) até tornar-se efetivamente imortal no final.

Ciclo de vida e morte - A morte gera vida e a vida leva à morte. Sem um, não existe o outro. Esta não é apenas uma ideia religiosa, na ciência há muitos exemplos, tais como o ciclo do carbono e a criação de elementos mais pesados ​​através de múltiplas explosões estelares.

Anéis do tempo - Uma ótima cena mostra como Tom, o viajante espacial, conta o tempo tatuando-se com anéis. É uma boa alusão aos anéis de crescimento, como os que uma árvore possui. Quando o tronco de uma árvore é cortado, nota-se que existem círculos escuros. Cada anel corresponde a um ano de vida desta. Nas árvores que vivem em regiões de clima temperado, esses anéis são bem fáceis de contar. Já nas espécies de regiões tropicais, como é o caso do Brasil, os anéis são difíceis de definir. Isso porque o clima influencia diretamente na formação desses anéis. A análise desses anéis de crescimento também comprovou que é possível reconstruir as oscilações de fatores do clima em certos períodos. Assim também acontece com os moluscos, que possuem anéis que dizem sua idade.

Anéis concêntricos - Quando Tom voa em direção a Shibalba, uma série aparentemente interminável de anéis concêntricos surge.

Nave espacial esférica - A esfera é basicamente a versão 3D do círculo.

O anel - O símbolo tradicional de amor e compromisso infinito. Tomás e Tommy, cada um, perdem o anel, uma vez como conquistador e outra como cientista. Isso acontece porque eles não estavam preparados e não tinham aprendido a verdadeira lição sobre seu significado. A lição só é absorvida por Tom, o viajante espacial, que recupera o anel do Conquistador para completar o ciclo (a roda) da vida.

Música - A música é minimalista, repetindo, insistentemente, os mesmos temas em ciclos.

Mais dicas

Iluminação progressiva – O filme fica mais leve à medida que a linha do tempo progride. Por exemplo, escuro (selva), tons silenciosos e neutros (laboratório) e brilhante (Shibalba).

Ouro - A cor dourada é usada porque simboliza o desejo e a obsessão e encaixa-se particularmente bem com o tema maia e espanhol. Também está conectado com o "ouro de tolo", algo que você cobiça, mas depois percebe que não é o que você queria.

O mapa das estrelas - A maioria das pessoas não se preocupa com os créditos (a não ser que seja um filme da Marvel), entretanto, neste filme, é uma parte interessante. Podem ser observados aglomerados de luz em segundo plano. Isso é, de fato, o que os cientistas dizem que aconteceu após o Big Bang.

***

Fontes

A Fonte Explicada. Site Philoscifi. Artigo em inglês
A Fonte da Vida. Site Omelete.
A Fonte da Vida. Wikipédia em Português.
A Fonte da Vida. Wikipédia em Inglês.
A Fonte da Vida. Rotten Tomatoes. Site em Inglês.
A Fonte da Vida. IMDb. Site em Inglês.
Macrofotografia. Wikipédia em Português.
Dúvida de Tomé. Wikipédia em Português.
Você sabia que é possível descobrir a idade de uma árvore olhando o interior do tronco. Site EBC. 
Anéis de crescimento de árvores indicam histórico do clima. Hemocentro/USP.

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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Passagens

Imersa em minha grande arrogância, muitas vezes pensei dominar todos os meus sentidos, inibindo e liberando-os como pingos milimetrados em um frágil conta gotas de vidro. Santo Deus, que ilusão patética!

A certeza mesmo é somente da minha incendiária passionalidade. Poderia amar mais e mais e morrer na mesma intensidade, assim como odiar com o fervor das fornalhas ardentes das piras da antiga Grécia.

Toda essa jornada, com picos de calma, oscila ao compasso da passagem das estrelas pelo céu noturno.

E viver assim, neste carrossel desvariado, não causa-me desconforto. O que assusta-me é a monotonia, juntamente com os cumprimentos matinais vazios, as aparências, os corações satisfeitos e o conformismo com uma vida ordinariamente normal.

Toda a malícia deliciosa esvaiu-se. Os homens possuem apenas olhares carnais e ávidos pela quantidade e as mulheres, bobas como são, caem nessa historieta como vespas na lareira.

Acumulam-se alguns convites sobre a minha mesa. Jantares, cafés... Alguns muitos na surdina, de sexo rápido e a domicílio em forma de cappuccinos.

Deixei-os em aberto, bem provavelmente para sempre. Meus instintos não seriam satisfeitos com tão pouco. De fato, nenhum homem arrancou de mim gemidos impetuosos desprovidos de obrigação, receio ou chateação. Assim, cabe-me apenas tecer aquele que, longe da perfeição, povoa a minha imaginação e penetra-me corpo e alma.

Ao olhar o passado, tão pouco significou. E com as poucas fagulhas douradas de êxtase de outrora, posso apenas construir com palavras as histórias para entretenimento de desconhecidos mais próximos do que aqueles que um dia tocaram por entre
meus lábios.